domingo, outubro 05, 2003

Aniversário do dia



O que dar de presente para uma moça q veio dos Andes?
Eu sempre quis ter uma lhama, e isso me parece muito pertinete neste momento.
Moça dos Andes, te presenteio com uma lhama fofinha. Espero q ela goste de morar em Copa tanto quanto vc:-)
Três horas sentada na frente do computador colocando minhas leituras online em dia e mais uma hora em busca de receitas com carne de soja.
Ventos da mudança?!?!?

sábado, outubro 04, 2003

As diferenças entre talento e repertório

Hoje fiquei pensando insistentemente nas injustiças musicais q cometemos freqüentemente. Acordei cedo e lá estavam na TV, no SBT é claro, as cinco meninas do Rouge. Podem torcer o nariz, eu mesma já fiz isso uma vez.O tal Rouge, para quem não sabe, é, na minha mais humilde opinião, um dos poucos projetos bem sucedido da TV brasileira dos últimos anos de baixaria generalizada. Justifico: as meninas tem talento, tem um passado. Algumas cantavam em bares na noite, outras em grupos de serenata e bandas de bailes. Tirando uma outra q parecem ser bem nascidas, aparentam uma origem humilde. Estudaram, trabalharam, se sustentaram, viveram e apostaram em uma coisa q parecia loucura: participar de um programa de TV p/ formar um grupo de música teen. Lamentável fim, pensava no sofá da minha casa enquanto ouvia, e via, as meninas na TV interpretando “King of pain”, do Police, “Black Bird Fly”, de John Lennon e Paul McCarteney, “I’ll survive”, Gloria Gaynor, e “Segue o seco”, gravado por Marisa Monte, a capela ou acompanhadas apenas por um violão, tocado por elas mesmas. São incrivelmente afinadas, seguras. Cinco timbres diferentes, cinco estilos diferentes empacotados em um repertório ruim, adolescente. Um desperdício!

O motivo de toda esta reflexão veio lá da redação. Depois de ser ridicularizada por declarar minha admiração pelo Pedro Mariano, ouvi da boca das próprias inquisidoras que adoraram tal faixa do disco novo do rapaz. E com a desculpa de ouvir tal faixa, escutaram todo o CD e chegaram a admitir, muito disfarçadamente, que o rapaz canta direitinho.

Sim, ele canta bem, eu digo com a segurança de quem acompanha a carreira do menino desde o primeiro trabalho. O q estraga é o repertório. O Pedro é exigente e cuidadoso, tem ouvido educado, é baterista e perfeccionista. Entende de áudio e de música. No palco mexe na posição dos microfones, dá palpite nas introduções da guitarra, no tempo do baixo, na digitação do tecladista... Mas para escolher repertório o cara é complicado. Eu acredito q é uma opção dele, um caminho q encontrou para formar um público mais fiel, talvez. As musicas românticas que beiram o brega sempre povoam seus CDs, mesmo com ele cantando bem. Complicado para quem não tem paciência de ouvir além da letra. Assim se cometem as injustiças musicais.

quinta-feira, outubro 02, 2003

Por Deus! Alguém ai já viu a Lara Croft dando um soco no “nariz” de um enorme tubarão, só para pegar uma caroninha até a superfície? Quanta crueldade....

quarta-feira, outubro 01, 2003

Q noite badalada

Fui ao Canecão ver meu queridinho Pedro Mariano cantando. A novidade estava em seu ilustríssimo acompanhante. Ao piano César Camargo Mariano, pai e parceiro neste novo projeto. Sou obrigada a admitir, César fez Pedro ficar melhor musicalmente. O cara (César) é mesmo uma unanimidade!!! Esteticamente bonito, simpático, cuidadoso e muito agradável para os ouvidos. Certa vez entrevistei um músico que quando começou a tocar ganhou o apelido de Cesinha, de tanto ouvir o César tocar e assimilar seu estilo. Esse músico hoje toca teclado na gig do Prince. Não o meu cachorro, mas o pop star, ex Mister Symbol.

Histórias à parte, foi incrível ver o César tocar no palco do Canecão. E este trabalho, Piano & Voz, novo CD do Pedro Mariano que o paizão, César Camargo Mariano como músico, arranjador e co-produtor, está impecável

A noite não terminou aí, saindo do grande caneco parti rumo ao Ballroon. Era noite de Reggae B e prometia uma participação do Paralamas do Sucesso, os dois q sobram, já q o Bi já faz parte da banda principal da noite. Foi minha primeira experiência com Herbert Vianna depois do acidente, é muito estranho. Tem aquele tom de milagre: “puxa o cara ta vivo”; “nossa, ele consegue tocar!”; “gente, ele ta cantando de verdade!”.

Na verdade fiquei confusa. Lembrei dele dançando no palco imitando o Renato Russo, ele magrinho fazendo pose de galã nos videoclipes, solando nos shows, cantando, sorrindo, livre, independente. Vê-lo preso na cadeira com alguém sempre perto, tocando e olhando para os lados para ver se tem alguém para arrumar a guitarra, abaixar o microfone, cantando uma música atrás da outra sem brincar com a platéia. Não sei se estou feliz.
Definitivamente este aqui é o lugar mais chato da grande rede!!
Desculpem leitores ocasionais, mas esta é a prova do meu relaxamento. Nunca fui boa com compromissos rotineiros, isso inclui os blogs, em primeira instância. Entenderam?

sábado, agosto 23, 2003

Sobre se relacionar

Cabeça é uma coisa estranha. Cada um tem um jeito, um estilo e muitas neuroses.

É estranho d+ ver alguém brilhante tão inseguro diante da opinião dos outros. É estranho ver alguém bonito inseguro diante da aprovação dos outros. É estranho ver um alguém tão inteligente inseguro diante de outro cronologicamente mais velho.

Coisas assim são tão complicadas que as vezes erro a mão e, na tentativa de amenizar a pressão da convivência, acabo expondo pessoas queridas.

quinta-feira, agosto 14, 2003

Meninos muito intelectualizados não são lá muito maduros.

Afinal, são anos protegidos da vida por livros de capa dura, abrigados em salas de aula e isolados em bibliotecas. A vida na prática, inevitavelmente, vai passando e eles ficam lá estudando até tarde para passar no vestibular e teorizando sobre ela nos fins de semana com os amigos. Não é possível esperar que eles tenham atitudes muito maduras diante de situações que nunca viveram na prática, apenas leram nos livros, viram nos filmes e debateram em salas de aula. Resumindo: dá um trabalhão aprender todas aquelas palavras bonitas e conclusões brilhantes que tanto nos encantam.

Moça que veio dos Andes, não seja tão exigente. Não podemos ter tudo, lembra?

quarta-feira, agosto 06, 2003

Eu concordo, como todo mundo, ele tem alguns defeitos. O mais preocupante é não fazer parte do meu seleto mundinho, meio showbis meio alternativo, mas e aqueles que faziam parte, o que restou? Nada de bom, posso adiantar.
O fato é que são 9:30h da manhã e do outro lado da linha alguém me diz: “- Tenha um bom dia, meu bem.”
Pai, papai, papaizinho

Meu melhor amigo, o mais antigo e mais querido (desculpem ou outros, mas isto é absolutamente sincero) vai ser PAI.
Estou tão em pânico quanto ele, preciso confessar. Não é a primeira vez que passo por este tipo de coisa, minha primeira gravidez por tabela foi aos 17 anos. Minha amiga Cris ficou grávida aos 15 anos e gerou meu afilhado, hj com quase 15 anos e incrivelmente lindo e amado por nós duas. Foi inesquecível ver a barriga dela crescer dia a dia, e depois vê-lo finalmente. Um bebê minúsculo e apaixonante, hj um garoto boa praça, bom de papo, inteligente e muito gato. Mais alto que nós duas e retribuindo nosso amor do mesmo jeito, é mágico! A última vez foi desastrosa, a tal gravidez por tabela acabou com um romance muito promissor. Mas deixa isso pra lá, meu amigo vai ser pai afinal. Aos 32 do primeiro tempo o cara vai, finalmente procriar.
É isso pessoas, vou ganhar mais um sobrinho e passar mais algumas horas andando atrás de mimos para o rebento e outras tantas horas bolando presentes criativos para ele.

Parabéns amigo, tô feliz pacas:-)
Amo vc:-*

domingo, agosto 03, 2003

Barrigas X ossinhos, a batalha do dia


Travamos um pequeno embate, sobre tipos fora da estética vigente, que acabou em empate técnico. Metade dos votos foram para os rechonchudos e barrigudos e a outra metade para os completamente magrelos.

Normalmente quem prefere um certo excesso de massa corporal, ou seja, os meninos gordos de fato, lança mão de um velho argumento: tem coisa melhor que uma barriguinha macia? Tenho que concordar, uma barriguinha excessivamente fofa, assim como um belo par de pneus, é algo extremante positivo em matéria de conforto. Deitar a cabeça, morder, apertar, muitas são as utilidades do famoso e popular barrigão. E ainda tem os braços gordinho, que fazem realmente a diferença na hora do abraço. A maciez desses meninos gordos é um grande trunfo. Para aqueles mulheres carentes ao extremo, meninos macios são a melhor dica.

Mas, devo assumir publicamente: não resisto ao charme de uns ossinhos em evidência. Na prática corremos alguns riscos com os charmosos e ágeis meninos magrelos. Movimentos bruscos transformam joelhos e cotovelos em verdadeiras armas, mas ainda assim eu me rendo. Se for desprovido de altura então, é perfeito! Os altos às vezes caem no problema da postura. Ficam curvados como uma vara de pescar, aí realmente não há costelinha aparecendo que recupere o charme perdido. Destaco como pontos fortes dos magrinhos as mãos. São finas e elegantes. Os braços fininhos são discretamente delineados por pequenos músculos, tal qual um desenho de livro de anatomia. A falta de barriga também tem seu charme, geralmente os pêlos cumprem o papel de deixar o abdome desprovido de gordura mais macio. (aliás, já repararam como geralmente os magros são peludos?) Os magros são, em resumo, meninos simples. Simples de abraçar, de puxar, de empurrar. O meu voto vai para eles!



Magrinhos de dar dó...

Joseph Fiennes




Ai q dó!

sexta-feira, agosto 01, 2003

Querer ser outro

Tudo bem, todo mundo sabe tecnicamente quem é. Conhece o próprio nome, sabe quem são os pais, os irmãos, tios primos, o lugar onde mora, quem são seus amigos, colegas, inimigos. Sabe quem gosta, quem ama, quem detesta. Tem até documentos que provam quem é, carteira de identidade, de motorista, de trabalho, CPF, número do INSS, certidão de nascimentos, um monte de papéis que comprovam quem você é.

Na primeira fase da vida isso até pode ser confortante, saber quem você é pode ser tão simples quanto responder o nome na chamada em sala de aula ou dizer seu nome quando alguém pergunta: quem é? Você se resume em o queridinho da mamãe, o netinho da vovó, o garotão do titio, o bebê mais fofo do mundo e por aí vai. Os títulos e as características vão crescendo junto com você.

Aí vem a adolescência e tudo parece um horror. Você começa sendo o adolescente! A coisa mais abominável que caminha sobre a terra. Nesse ponto já está inserido em pelo menos 3 grupos distintos, a família, o colégio e o condomínio (na minha época era a rua mesmo). Na família as coisa não mudam muito e, de acordo com o seu grau de agressividade para com seus pais, alguns títulos podem vir a se transformar. O queridinho da mamãe, pode virar o garoto problema, o mau criado, respondão e coisas desse nível. Mas o verdadeiro tormento vem da escola, crianças podem ser cruéis ao extremo (nunca se esqueçam disso). Seus piores defeitos (os físicos são os mais indicados) e maiores medos vão virar seus sinônimos. Basta um centímetro a mais no diâmetro do seu crânio para você se transformar no Cabeção, ou quem sabe uma minúscula protuberância nas orelhas para fazer de você o Dumbo. Alguém descobre que você usou mamadeira até os 11 anos, já era! Você agora terá outro nome, deixa de ser uma pessoa para ser A Mamadeira. Depois disso a saga continua, é mesmo um caminho sem volta. Você deixa de ser o adolescente para ser o jovem, deixa o colégio e vai para a faculdade caçar mais um título. Lá ganha tantos outros, muito parecidos com aqueles do ginásio. Mas o tempo todo as pessoas vão te rotular, te perseguir, te chamar de coisas que nem sempre são aquilo que você sonhou ou pensava ser.

Mas, particularmente, todas estas brincadeiras e rótulos ficam muito simples depois que o amor entra em nossas vidas. Nunca temos tanta vontade de ser outra pessoa do que quando amamos. Tá legal, você sabe que é alguém muito bacana, mas quando banca o idiota na frente do objeto do seu desejo por motivos totalmente desconhecidos... Ser outra pessoa é a única saída. Quando bate aquele desespero de querer se declarar, querer conquistar, mas não saber o que fazer. Você pede um conselho para alguém e ouve: seja você mesmo. Que ódio! É impossível sermos nós mesmo nestas circunstâncias, precisamos de outro, ser outro. Ou quando aquela figura por quem você está perdidamente apaixonado diz que você é o máximo mas namora a outra ou fica com absolutamente todo mundo menos com você? Virar outro é inevitável. As desilusões também deixam este secreto desejo de ser outro. Os traídos que nunca quiseram ser o "outro" estão mentindo descaradamente, os rejeitados que nunca se excomungaram na frente do espelho também estão no mesmo barco.

Agora mesmo eu queria ser a Elba Ramalho e ficar quietinha debaixo do braço daquilo tudo que atende pelo exótico nome de Gaetano.

domingo, julho 27, 2003

Explicando, comentando...

Prometi para mim mesma não fazer deste blog um diário. Posts do tipo hj fui em tal lugar, encontrei tal pessoa, vi tal coisa, ouvi isso, comi aquilo, escritas com a urgência de um tempo real estão absolutamente fora de cogitação. Mas existem coisas que realmente fogem ao nosso controle e precisam ser comentadas no dia em que acontecem.

Só para disfarçar vou começar a falar do meio da semana. O dia era de premiação, o hall de entrada do Teatro Municipal do Rio fervia de gente em trajes de gala se acotovelando entre câmeras e fotógrafos. Famosos e anônimos (onde eu ainda me incluo) eram perseguidos por câmeras e microfones ávidos por uma pose, declaração, aceno ou sorriso. Parece mesmo um mundo à parte, um mundo onde as aparências falam por si. Fiquei estrategicamente ao lado de umas das belas pilastras do hall do teatro, meio me escondendo para acompanhar o burburinho sem fazer parte dele. Ali percebi como seria difícil para mim pleitear uma vaga de repórter em uma dessas revistas de famosos. "Coitada de mim, só conheço os músicos", pensava enquanto admirava a briga dos fotógrafos por closes nas pessoas mais estranhas do mundo. Ficava aliviada quando via entrar caras familiares como a de Paulo Moura, Hermeto Pacoal, César Camargo Mariano, Wagner Tiso, Lirinha, Big Joe Manfra e mais uma penca de músicos, mas ao mesmo tempo revoltada por vê-las passar sem serem notadas pelos flashs. Afinal era um prêmio de música e não uma festinha das novelas globais.

Deixemos as revoltas de lado e nos concentremos nos prêmios. Para mim o ápice absoluto foi o prêmio de Melhor Grupo Regional. O Cordel do Fogo Encantado arrancou aplausos e gritinhos da platéia na hora de buscar seu prêmio no palco. Para mim uma emoção à parte, admiradora confessa do belo trabalho do grupo, foi lindo ver que os meninos conseguiram ser reconhecidos mesmo com um CD independente. São os bons ventos da mudança invadindo a nossa música. Os dois prêmios dados a Hermeto Pascoal e os três de Zeca Pagodinho me deixaram uma sensação de seriedade por trás da festa.

Mas todo este papo foi mesmo para introduzir a pérola do dia. Os grupos LS Jack e Art Popular se enfrentaram hj à tarde no aeroporto Santos Dumont. A notícia foi parar no Globo News sob o título "Baixaria no Santos Dumont - Grupo de pagode e banda de rock brigam no aeroporto". Segundo a nota, um dos pagodeiros teria feito piadinhas para os pops, que não gostaram e partiram para a briga. O resultado foi um pagodeiro com luxação no ombro, um pop com fratura no punho esquerdo e outro pop com sangramento no nariz. O placar nada equilibrado foi decidido na 5ª DP (Mem de Sá), no Centro do Rio, onde todos foram acusados de agressão mútua.

Só rindo muito!

sábado, julho 26, 2003

Cometários televisivos

Esta semana asisti pasma, devo confessar, a mais um capítulo da novela que ocupa o atual horário das 18h na Rede Globo. O folhetim, intitulado Agora é que são elas apresentava uma cena em que Miguel Falabela, na pele do Prefeito Juca Tigre, mergulhado em dúvidas em seu gabinete, divaga sobre o futuro político da candidatura de seu filho Vitório Augusto, vivido pelo invejado ex Sr SandyJúnior Paulo Vilhena. A cena em nada dispertaria a atenção, senão pelo texto interpretado por Falabela. Nele haviam citações explícitas, pasmem vcs, de Hamlet. É isso mesmo, eu não estou surtando!!! A novela das 18h colocou no ar trechos da obra de Willian Shakespeare! Tudo bem que foi a parte mais conhecida, aquela do ser ou não ser. Mas ele foi além disso, citou um trecho inteiro fazendo uma cara de drama incrível. Eu juro, fiquei comovida! Principalmente porque Hamlet é um dos meus prediletos, depois de Romeu e Julieta, é claro.
Sobre aquele sentimento

Do passado guarda a lembrança de uma companhia agradável. Muitas coisas que ainda a fazem sorrir. Aqueles foras bobos que escondem uma vontade louca de parecer mais inteligente, mais esperto que o outro, eram quase uma obsessão. Eram duas mentes irrequietas e vivas, querendo simplesmente se fazer notar uma pela outra. Uma competição implícita e saudável, ganhava quem conseguia deixar a mente do outro mais aguçada. Assim passaram por alguns meses, compartilhando algumas noites de amasso na garagem do prédio dela. Entre uma seção de cinema no Art Méier e intermináveis sorvetes no Mc Donald's, a vida seguia seu despreocupado curso.

De tão despreocupada na época, a vida os separou. Sem dramas ou despedidas, se perderam nos dias e anos do calendário. Foram cinco os longos anos. O reencontro, de tão improvável se tornou inusitado. Vê-lo outra vez foi para ela uma boa surpresa, para ele uma espécie de volta ao passado. Muitos foram os caminhos percorridos pelos dois nesses anos de afastamento, já não eram mais os mesmos. Porém, a companhia continuava agradável, o papo fácil, animado e instigante. Arriscaram até alguns daqueles foras bobos de antes, só para distrair. Ainda competiam secretamente pelo título de mais inteligente, mas agora se permitiam trocar elogios e compartilhar conclusões mais profundas sobre este ou aquele assunto. A tal maturidade visitava os dois juntos pela primeira vez. Os tempos de amassos na garagem dela ficaram para trás, agora a garagem, uma outra maior e até com banquinhos para sentar e conversar, servia de palco para as animadas conversas antes dele ir embora.

Tudo parecia mesmo ir bem até que alguém errou um caminho. Difícil precisar onde, quando e porque, mas o erro foi realmente constatado e o rumo da história drasticamente mudado. Agora as lembranças já não a fazem sorrir, um traço de tristeza acinzenta seus olhos sempre que dele lembra. São saudades. Saudades que não podem ser saciadas sem que algo de ruim aconteça. Vive sob uma ameaça invisível, como se a qualquer momento tudo pudesse ruir novamente. O tal "caminho errado" vive a espreita dos dois, tal qual um vilão atrás de uma esquina esperando sua distraída vitima. Do que já foi amizade e virou paixão, hoje tenta apenas ser contato. Um simples saber como vai, por onde anda, como tem passado. Mas o medo de tudo mudar novamente traz a tristeza de não poder ficar por perto.

segunda-feira, julho 14, 2003

Frases de impacto do fim de semana:

"Não se muda uma pessoa, conquistamos-a"
Clayton Barros querendo impressionar

"O estacionamento foi caro, mas o caldinho de mocotó está tuuudo"
Miss Fogo Encantado:-) ao receber sua faixa

"Essa banda tem uma coisa interessante: todos os caras são feios"
Thaty Garcia sem se deixar abalar pela musicalidade da Nação Zumbi

sábado, julho 12, 2003

Sobre a monografia

Ouvir um CD, ver o povo tocando no palco, colocar uma idéia na cabeça, discutir esta idéia com o povo que toca no palco... A primeira vista esta conexão me pareceu extremamente simples, mas olhando bem de perto, de dentro eu diria, não é mesmo.

Para cada impressão minha, existem outras tantas a serem confrontadas. A distância entre ouvir o CD, ver a banda em cena e assimilar seu trabalho no âmbito em que ele deve ser assimilado é incomensurável. São detalhes, nuances e idéias espalhadas por todos os lados. O trabalho do músico nunca é só aquilo, o músico nunca é só aquele.

Ingenuidade pensar que só porque o cara canta forró ou declama poesias cantadas no palco ele é um mero repetidor das suas raízes culturais. Ingenuidade concluir que sua música se restringe a apenas rever antigos conceito, repassar antigas formas e manifestações artísticas. Ingenuidade chamar de folclórico o que na verdade é apenas roots, tão minha quanto dele. Uma mera bagagem sonora passada para frente por ser parte dele mesmo.

Não é uma visão preconceituosa, é apenas a constatação do tamanho do país em que se vive e, especialmente, da diversidade cultural que ele abriga. Passar os últimos 32 anos no sudeste sendo bombardeada por informações globalizadas e pouca influência interna, pouca roots, se expressa assim. Acabamos tratando como ETs quem se propõe a falar de coisas simplesmente BRASILEIRAS.

Já estou revendo meus conceitos.

domingo, julho 06, 2003

Sobre o mesmo

Mesmo sem querer lá estava ela, admirando o rapaz de longe. Olhos compridos pela fresta da porta do quarto. Lá dentro ele se vestia, de costas escolhia a camisa e ela, de longe, contemplava a pequena cena. "Belas costas", pensava mesmo sem querer, já que ainda estava de pé sua promessa secreta de esquecer de vez os meninos, uma vez que estes, há muito, pareciam esquecer se da existência dela. Mas como a atração é algo ainda incontrolável, passou o resto dia a admirar o resto do rapaz. Sorrisos, trejeitos, voz, palavras, gestos, nada mais passava despercebido. Ensaiou algum assunto, era grande a vontade de saber o que mais havia por trás daqueles olhos, "que olhos!". Fitava-o de longe, discreta e insistentemente. De tanto observá-lo notou que algo sempre cruzava seu olhar, era outra. Outra mulher também parecia rendida aos encantos do belo rapaz. Mudou o ponto de observação para os dois e com o passar das horas foi descobrindo que o belo rapaz era como todos os outros, também não a enxergava. Seus belos olhos não encontravam os dela, e, mais uma vez, a outra foi a escolhida. Sentindo-se tola por tentar, mesmo sem querer, mais uma vez, guardou a ponta de arrependimento junto com todas as outras tantas.