Doze coisas boas de 2004
1.Shows do Robi em São Paulo, Irom Maiden, Doors, Kraftwerk, Village People e BB King
2.Fat Boy Slin na praia
3.Fred;-)
4.Danniel cantando Feelings na TV
5.Churrasco de aniversário
6.Jú no Skype
7.Ad Business
8.Festival de Verão de Salvador e rever a família por lá
9.Chamuscadas:-)
10.Meu Ratinho dizendo que me ama no estacionamento do shopping:-)
11.Beijo do Ian Atsbury (ai, ai...)
12.Muitos novos amigos!
Doze coisas ruins de 2004
1.Sair da M&T
2.Guto
3.Perder a cobertura
4.Audiominas
5.Clima doméstico
6.César Maia outra vez
7.Bush outra vez
8.Guerra urbana
9.Solidão
10.Meninos
11.Danniel
12.Mentiras e omissões
domingo, janeiro 02, 2005
sábado, janeiro 01, 2005
Ano Novo....
Aquela sensação irritante de que tudo mudou é sempre a mesma. Sim, isso é de fato muito chato, já que temos consciência de que muda mesmo apenas o calendário. “Dessa vez vai!”, “Esse ano será melhor”, “Tudo vai ser diferente!”. Já passei da idade de acreditar nessas coisas.
Na real preciso de um calendário novo, joguei o meu fora pq as folhas acabaram. De novo mesmo, terei outras 12 folhinhas com 365 dias para contar, viver, realizar sonhos, conquistar coisas, perder outras tantas, descobrir, rever, aprender, sentir.
Ta legal, o tal espírito do Ano Novo acaba contagiando mesmo. Acredito sim nas boas energias que os votos de felicidades que os amigos, familiares e até desconhecidos (Interessante isso, as pessoas que nunca te viram na vida te desejando coisas boas. Ponto para a passagem de ano!) oferecem. Esses bons pensamentos influenciam nossas atitudes de alguma forma, mesmo que momentaneamente. A mágica está ai. Essa a mudança importa mais que a do calendário.
E todas aquelas simpatias, amuletos, cores para as roupas e sapatos, simbolismos, crendices e tudo mais que a razão não explica. Adoro essa magia. São pequenas bruxarias que todo mundo acaba cedendo, mesmo os mais incrédulos. Come-se peixes que nadam para frente e não aves que ciscam para trás; lentilhas são como moedas e atraem dinheiro; rosa é amor e vermelho é paixão; pisar com o pé direito; pular sete ondas; pegar a rolha da garrafa; vestir roupa nova... Atire a primeira semente de romã quem nunca fez, participou ou mesmo se sentiu tentado a experimentar alguma dessas crendices. E toda religião tem a sua.
Mas não tem jeito, o ano mudou, mas as verdadeiras mudanças e novidades quem vai fazer sou eu. Como diria Drummond “Tem que merecer um novo ano”. Então junte-se ao time e faça você mesmo.
Um bom novo ano para você que vai se fazer merecer:-)
Aquela sensação irritante de que tudo mudou é sempre a mesma. Sim, isso é de fato muito chato, já que temos consciência de que muda mesmo apenas o calendário. “Dessa vez vai!”, “Esse ano será melhor”, “Tudo vai ser diferente!”. Já passei da idade de acreditar nessas coisas.
Na real preciso de um calendário novo, joguei o meu fora pq as folhas acabaram. De novo mesmo, terei outras 12 folhinhas com 365 dias para contar, viver, realizar sonhos, conquistar coisas, perder outras tantas, descobrir, rever, aprender, sentir.
Ta legal, o tal espírito do Ano Novo acaba contagiando mesmo. Acredito sim nas boas energias que os votos de felicidades que os amigos, familiares e até desconhecidos (Interessante isso, as pessoas que nunca te viram na vida te desejando coisas boas. Ponto para a passagem de ano!) oferecem. Esses bons pensamentos influenciam nossas atitudes de alguma forma, mesmo que momentaneamente. A mágica está ai. Essa a mudança importa mais que a do calendário.
E todas aquelas simpatias, amuletos, cores para as roupas e sapatos, simbolismos, crendices e tudo mais que a razão não explica. Adoro essa magia. São pequenas bruxarias que todo mundo acaba cedendo, mesmo os mais incrédulos. Come-se peixes que nadam para frente e não aves que ciscam para trás; lentilhas são como moedas e atraem dinheiro; rosa é amor e vermelho é paixão; pisar com o pé direito; pular sete ondas; pegar a rolha da garrafa; vestir roupa nova... Atire a primeira semente de romã quem nunca fez, participou ou mesmo se sentiu tentado a experimentar alguma dessas crendices. E toda religião tem a sua.
Mas não tem jeito, o ano mudou, mas as verdadeiras mudanças e novidades quem vai fazer sou eu. Como diria Drummond “Tem que merecer um novo ano”. Então junte-se ao time e faça você mesmo.
Um bom novo ano para você que vai se fazer merecer:-)
terça-feira, dezembro 07, 2004
Hoje vi o quarto cadáver
Depois de um dia exaustivo de trabalho você encara um baita engarrafamento na volta para casa, com direito a carros da polícia e uma pessoa baleada na beira da calçada. Não quis olhar, mas não pude deixar de ver o sangue correndo pelo meio fio. Até me esforcei para não ouvir os comentários dentro do coletivo, algo realmente impossível. As pessoas parecem ter prazer em cenas como esta. Todos se levantam e correm para a janela para observar o corpo caído no chão. “Foi na cabeça, tiro na cabeça. Tem um montão de sangue no chão”, dizia uma mulher com ares de entendida. “Ih, foi agorinha mesmo. Mais um pouquinho e sobrava pra gente”, esbravejava um coroa. Os poucos minutos do ônibus parado ao lado da tragédia renderam uma eternidade. Eu, de olhos fechados e cabeça baixa, tampava meus ouvidos tentando fugir dali.
O trânsito anda, o corpo e o sangue ficam para trás, mas os comentários se estendem. Agora cada um resolve contar uma história de violência urbana. “Esses pivetes que ficam aqui me roubaram uma vez, agora não tenho mais pena. Quero mais que morram todos”, dizia cheia de certezas a cobradora. “Meu cunhado foi assaltado aqui mesmo. O cara colocou um canivete no pescoço dele”, depôs o senhor de óculos.
No meio de tudo isso, eu só conseguia pensar naquele cara morto na calçada. Lembrei da moça morta no meio fio na manhã de sábado, quando eu ia para a escola há 15 anos. Ela vestia uma saia jeans igual a minha. Lembrei do menino com um tiro nas costas numa esquina da Linha Amarela, num dia de tiroteio na favela da Maré. Eu também voltava do trabalho naquele dia e ele era só um menino. Lembrei das pessoas mortas dentro do carro todo furado de balas bem em cima de um viaduto em São Cristóvão. Eu ia para o trabalho e as pessoas foram baleadas ali, dez minutos antes d’eu passar. Mas hoje, dentro daquele ônibus, ninguém se importava com o cara morto. Só contavam suas histórias de terror como uma competição para ver quem já passou mais perrengue. E eu só pensava nos cadáveres que já vi.
Quando me levantei para descer, todos se calaram. Ninguém entendeu porque só eu chorava. Ninguém mais acha estranho ver pessoas mortas. Ninguém mais se compadece da morte do próximo. Ninguém mais se revolta com os tiros nas ruas.
Depois de um dia exaustivo de trabalho você encara um baita engarrafamento na volta para casa, com direito a carros da polícia e uma pessoa baleada na beira da calçada. Não quis olhar, mas não pude deixar de ver o sangue correndo pelo meio fio. Até me esforcei para não ouvir os comentários dentro do coletivo, algo realmente impossível. As pessoas parecem ter prazer em cenas como esta. Todos se levantam e correm para a janela para observar o corpo caído no chão. “Foi na cabeça, tiro na cabeça. Tem um montão de sangue no chão”, dizia uma mulher com ares de entendida. “Ih, foi agorinha mesmo. Mais um pouquinho e sobrava pra gente”, esbravejava um coroa. Os poucos minutos do ônibus parado ao lado da tragédia renderam uma eternidade. Eu, de olhos fechados e cabeça baixa, tampava meus ouvidos tentando fugir dali.
O trânsito anda, o corpo e o sangue ficam para trás, mas os comentários se estendem. Agora cada um resolve contar uma história de violência urbana. “Esses pivetes que ficam aqui me roubaram uma vez, agora não tenho mais pena. Quero mais que morram todos”, dizia cheia de certezas a cobradora. “Meu cunhado foi assaltado aqui mesmo. O cara colocou um canivete no pescoço dele”, depôs o senhor de óculos.
No meio de tudo isso, eu só conseguia pensar naquele cara morto na calçada. Lembrei da moça morta no meio fio na manhã de sábado, quando eu ia para a escola há 15 anos. Ela vestia uma saia jeans igual a minha. Lembrei do menino com um tiro nas costas numa esquina da Linha Amarela, num dia de tiroteio na favela da Maré. Eu também voltava do trabalho naquele dia e ele era só um menino. Lembrei das pessoas mortas dentro do carro todo furado de balas bem em cima de um viaduto em São Cristóvão. Eu ia para o trabalho e as pessoas foram baleadas ali, dez minutos antes d’eu passar. Mas hoje, dentro daquele ônibus, ninguém se importava com o cara morto. Só contavam suas histórias de terror como uma competição para ver quem já passou mais perrengue. E eu só pensava nos cadáveres que já vi.
Quando me levantei para descer, todos se calaram. Ninguém entendeu porque só eu chorava. Ninguém mais acha estranho ver pessoas mortas. Ninguém mais se compadece da morte do próximo. Ninguém mais se revolta com os tiros nas ruas.
Não gosto mais dessa cidade.
domingo, dezembro 05, 2004
O cara na porta do evento
Sabe, eu achei você bonito. Fiquei lá, parada na porta uns 30, 40 minutos e você na minha frente. Foi tempo bastante para achar você bonito. Depois, a música rolando e você não parecia interessado. Até te vi sentado na platéia, mas logo dispersou. Vi também você olhando para mim, mas, assim como a música, não prendi sua atenção.
Uma pena, acho que você ia gostar de saber que eu achei você bonito.
Talvez estivesse triste, chateado. Talvez acordara num mau dia. Quem sabe com auto-estima abalada, moral baixa. Seria bom você saber que eu achei você bonito.
Uma pena, acho que você ia gostar de saber que eu achei você bonito.
Talvez estivesse triste, chateado. Talvez acordara num mau dia. Quem sabe com auto-estima abalada, moral baixa. Seria bom você saber que eu achei você bonito.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
Eu assumo meu lado princesa
Hj cedo sai p/ trabalhar como todos os dias há pelo menos 12 anos. A supresa ficou por conta de um singelo ser de pouco mais de um metro que, agarrado a sua boneca, me olhou fixamente e, entre um decioso sorriso, soltou: "Olha só, é a Branca de Neve!". Saí gargalhando pela rua, rindo do meu próprio mau humor matinal que não resistiu a esta expontânea declaração.
Se a pequena diz isso, quem sou eu para ir contra? Sacarei minha coroa e algumas flores para adornar meus cabelos, entrarei em vestidos vaporosos e calçarei meus sapatinhos de cristal. Mesmo que sejam apenas grampos e fivelas coloridas, saias jeans e all star, vou assumir meu lado princesa e ai de quem me desafiar. Corto-lhe a cabeça!
Hj cedo sai p/ trabalhar como todos os dias há pelo menos 12 anos. A supresa ficou por conta de um singelo ser de pouco mais de um metro que, agarrado a sua boneca, me olhou fixamente e, entre um decioso sorriso, soltou: "Olha só, é a Branca de Neve!". Saí gargalhando pela rua, rindo do meu próprio mau humor matinal que não resistiu a esta expontânea declaração.
Se a pequena diz isso, quem sou eu para ir contra? Sacarei minha coroa e algumas flores para adornar meus cabelos, entrarei em vestidos vaporosos e calçarei meus sapatinhos de cristal. Mesmo que sejam apenas grampos e fivelas coloridas, saias jeans e all star, vou assumir meu lado princesa e ai de quem me desafiar. Corto-lhe a cabeça!
segunda-feira, novembro 29, 2004
Uma luz no fim do túnel
Tá certo. De vez em quando pinta uma maré de azar e todo mundo ao seu redor parece saído de um filme de terror, drama e suspense, tudo junto. Fica fácil perder a velha esperança na humanidade e em todos os conceitos da sociedade. Mas nada como um fato inesperado para mudar o cenário.
O cara chega e não fala nada. Segue mudo, mesmo com toda zorra ao seu redor. Na festa se transforma, divide a pista de dança palmo a palmo e segue madrugada a dentro se divertindo como nunca. De uma hora para outra se mostra o mais gentil dos seres, tira a camisa para proteger do frio a menina tremula, se oferece para buscar lanche para os famintos e acompanhar a moça solitária até seu destino. Ah, sim, ainda dá seu telefone e pede para ligar quando chegar. "Quero saber se você chegou bem mesmo", diz com o olhar mais meigo e atencioso que os meus já viram nos últimos meses.
O cara chega e não fala nada. Segue mudo, mesmo com toda zorra ao seu redor. Na festa se transforma, divide a pista de dança palmo a palmo e segue madrugada a dentro se divertindo como nunca. De uma hora para outra se mostra o mais gentil dos seres, tira a camisa para proteger do frio a menina tremula, se oferece para buscar lanche para os famintos e acompanhar a moça solitária até seu destino. Ah, sim, ainda dá seu telefone e pede para ligar quando chegar. "Quero saber se você chegou bem mesmo", diz com o olhar mais meigo e atencioso que os meus já viram nos últimos meses.
domingo, novembro 07, 2004
Na era dos cyber friends
Pessoas sem rosto vagam por ai. Sem braços e pernas elas podem te acolher no colo, te fazer um carinho, te emprestar um ombro. Basta você ter um modem e um meio de conexão com a grande rede que tudo começa.
Não é magia. As janelas para o mundo se abrem e lá estão elas vendo a banda passar. Sempre dispostas para trocar uma idéia qualquer. E como é fácil.
Escrever o que sentimos ou falar com quem nunca vimos ou nunca veremos. E fala-se tudo, sobre tudo. E a imaginação faz a festa. Brinca de criar rostos, paredes, quartos, casas... Como um infinito jogo de encaixar.
Os românticos se esbaldam com a aura de mistério do "nunca te vi, sempre te amei". Em tempos de solidão real, nada como um amigo virtual para descarregar as mágoas do dia a dia. Sem rostos eles sempre sorriem para nós, sem mãos sempre nos fazem afagos...
Não é magia. As janelas para o mundo se abrem e lá estão elas vendo a banda passar. Sempre dispostas para trocar uma idéia qualquer. E como é fácil.
Escrever o que sentimos ou falar com quem nunca vimos ou nunca veremos. E fala-se tudo, sobre tudo. E a imaginação faz a festa. Brinca de criar rostos, paredes, quartos, casas... Como um infinito jogo de encaixar.
Os românticos se esbaldam com a aura de mistério do "nunca te vi, sempre te amei". Em tempos de solidão real, nada como um amigo virtual para descarregar as mágoas do dia a dia. Sem rostos eles sempre sorriem para nós, sem mãos sempre nos fazem afagos...
quinta-feira, novembro 04, 2004
Eu tô tentando. Eu juro que tô mesmo tentando!
Não gosto mais dessa vida, desse corpo, desse cabelo, dessas palavras e, especialmente, desses sentimentos.
A vida eu não poso mudar agora, assim de uma hora para outra. Mas vou tentando. Troquei a linha de ônibus para ir ao trabalho, mudei o caminho também de volta para casa. Mudei os móveis do meu quarto de lugar e passei a dormir olhando o céu. A música que me desperta também é outra. Fui buscar minhas fotos da formatura (enfim!), levar o CD na rádio e coloquei o papo em dia com minhas amigas. Mandei emails para meus primos e amigos de longe e tenho passado muito mais tempo em casa.
Esse corpo também está com os dias contados. Parei mesmo de comer açúcar e outras tantas bobagens. Também dei um tempo no almoço diário com os meninos comilões do trabalho. Também já marquei uma consulta na clínica de estética.
Ah o cabelo... Esse ai é o mais mutante. Sempre sobra pra ele quando todo o resto desaba. Só este mês já cortei duas vezes!
Minhas palavras, ando tão cansada delas. Parece que falo sempre a mesma coisa. Mas não é fácil deixar de verbalizar o que te incomoda. Para mudá-las preciso passar para o próximo tópico.
Esses sentimentos. Aí está a raiz de todos os meus problemas e mudá-los é o maior de todos os mistérios da minha existência.
Não gosto mais dessa vida, desse corpo, desse cabelo, dessas palavras e, especialmente, desses sentimentos.
A vida eu não poso mudar agora, assim de uma hora para outra. Mas vou tentando. Troquei a linha de ônibus para ir ao trabalho, mudei o caminho também de volta para casa. Mudei os móveis do meu quarto de lugar e passei a dormir olhando o céu. A música que me desperta também é outra. Fui buscar minhas fotos da formatura (enfim!), levar o CD na rádio e coloquei o papo em dia com minhas amigas. Mandei emails para meus primos e amigos de longe e tenho passado muito mais tempo em casa.
Esse corpo também está com os dias contados. Parei mesmo de comer açúcar e outras tantas bobagens. Também dei um tempo no almoço diário com os meninos comilões do trabalho. Também já marquei uma consulta na clínica de estética.
Ah o cabelo... Esse ai é o mais mutante. Sempre sobra pra ele quando todo o resto desaba. Só este mês já cortei duas vezes!
Minhas palavras, ando tão cansada delas. Parece que falo sempre a mesma coisa. Mas não é fácil deixar de verbalizar o que te incomoda. Para mudá-las preciso passar para o próximo tópico.
Esses sentimentos. Aí está a raiz de todos os meus problemas e mudá-los é o maior de todos os mistérios da minha existência.
segunda-feira, outubro 25, 2004
quarta-feira, outubro 20, 2004
Nada como ter pessoas interessantes à nossa volta
Às vezes vc se sente como aquele montinho de papéis amassados. Inúteis, sem graça, jogados fora. E essa sensação pode até perdurar por semanas, mas nada que te paralise ou tire você do eixo. Só aquele sentimento incômodo de que nada tem lá muita graça, especialmente sua imagem no espelho.
Mas eis que o telefone toca e aquela voz deliciosa diz do outro lado: "Tava com saudades de vc. Aparece aqui".
Pronto! Você subitamente toca fogo na papelada amassada e começa a dançar em volta da fogueira.
Viver é mesmo um grande barato!
Mas eis que o telefone toca e aquela voz deliciosa diz do outro lado: "Tava com saudades de vc. Aparece aqui".
Pronto! Você subitamente toca fogo na papelada amassada e começa a dançar em volta da fogueira.
Viver é mesmo um grande barato!
sexta-feira, outubro 15, 2004
domingo, outubro 10, 2004
Nove de outubro
Achei mesmo que essa era uma data esquecida no meu calendário particular. Por vezes desejei que esse dia nunca tivesse amanhecido, que eu nunca tivesse atendido aquele telefonema, que nunca tivesse saído de casa... Sim, traumáticos mesmo os acontecimento pós nove de outubro de 2002.
Hoje, dois anos e um dia depois, dou o braço a torcer: aquele foi de fato um dos dias mais felizes da minha pequena existência. Tanto que comemoro sem mesmo saber. Ontem, dia nove de outubro, eu estava chacoalhando ao som dos hits dos anos 70 enquanto esperava uma das bandas mais representativas do felicíssimo mundo gay entrar em cena.
E foi assim, Village People no palco e eu me jogando na platéia absurdamente feliz da vida. Exatamente como há dois anos, na sala do ap dele.
"Um beijo maior do que você pode suportar"
"Young man, are you listening to me?
I said, young man, what do you want to be?
I said, young man, you can make real your dreams.
But you got to know this one thing!
No man does it all by himself.
I said, young man, put your pride on the shelf,
And just go there, to the y.m.c.a.
I'm sure they can help you today.
It's fun to stay at the y-m-c-a.
It's fun to stay at the y-m-c-a."
Hoje, dois anos e um dia depois, dou o braço a torcer: aquele foi de fato um dos dias mais felizes da minha pequena existência. Tanto que comemoro sem mesmo saber. Ontem, dia nove de outubro, eu estava chacoalhando ao som dos hits dos anos 70 enquanto esperava uma das bandas mais representativas do felicíssimo mundo gay entrar em cena.
E foi assim, Village People no palco e eu me jogando na platéia absurdamente feliz da vida. Exatamente como há dois anos, na sala do ap dele.
"Um beijo maior do que você pode suportar"
"Young man, are you listening to me?
I said, young man, what do you want to be?
I said, young man, you can make real your dreams.
But you got to know this one thing!
No man does it all by himself.
I said, young man, put your pride on the shelf,
And just go there, to the y.m.c.a.
I'm sure they can help you today.
It's fun to stay at the y-m-c-a.
It's fun to stay at the y-m-c-a."
quarta-feira, outubro 06, 2004
segunda-feira, outubro 04, 2004
Sobre o medo
Tomada pelo medo ela estava paralisada. Mal conseguia pensar. O coração aflito, respiração ofegante, mãos tensas. Ela gesticula muito, fala apressada quase atropelando as palavras. Por vezes parece que vai cair em prantos, seus olhos mareiam e a voz embarga. Mas logo passa a mão nervosa pelo rosto tentando se recompor. Já nem sabe bem porque tudo mudou.
Respostas são o que mais precisa, mas o medo não a deixa buscá-las. Desde que descobriu que as feridas ainda se encontram abertas vive assim, acuada. No fundo sabe que tudo depende dela e que tanta angustia pode ter um fim rápido. Mas, pela primeira vez, sente medo de ir atrás.
A linha de frente sempre foi seu posto de combate. Qualquer intervenção que se fizesse necessária, era ela a primeira a atirar. Fazia valer o velho mito do corpo frágil cheio de forca. Mas as lutas foram tantas que algo se quebrou. Cansada de ver as feridas em seu corpo frágil, sente vontade de bater em retirada e pedir asilo.
Ao menos um vez, gostaria de ver a batalha de longe. Virar expectadora de sua vida e abrigar-se do conforto da tribuna até que alguém apareça no centro do palco para dizer que tudo foi um erro, que vai cuidar e protegê-la dali em diante.
Respostas são o que mais precisa, mas o medo não a deixa buscá-las. Desde que descobriu que as feridas ainda se encontram abertas vive assim, acuada. No fundo sabe que tudo depende dela e que tanta angustia pode ter um fim rápido. Mas, pela primeira vez, sente medo de ir atrás.
A linha de frente sempre foi seu posto de combate. Qualquer intervenção que se fizesse necessária, era ela a primeira a atirar. Fazia valer o velho mito do corpo frágil cheio de forca. Mas as lutas foram tantas que algo se quebrou. Cansada de ver as feridas em seu corpo frágil, sente vontade de bater em retirada e pedir asilo.
Ao menos um vez, gostaria de ver a batalha de longe. Virar expectadora de sua vida e abrigar-se do conforto da tribuna até que alguém apareça no centro do palco para dizer que tudo foi um erro, que vai cuidar e protegê-la dali em diante.
domingo, outubro 03, 2004
Dúvidas
Como é mesmo que isso acontece? Você olha, gosta, troca sorrisos palavras, alguma coisa liga e sente vontade de olhar mais, falar mais. Ai beija, gosta e quer mais...
É isso mesmo não é? Esqueci de alguma coisa?
Estranhamente esse ciclo parece não fazer mais sentido. Acho q não sei mais seu significado.
É isso mesmo não é? Esqueci de alguma coisa?
Estranhamente esse ciclo parece não fazer mais sentido. Acho q não sei mais seu significado.
sexta-feira, outubro 01, 2004
Um grande susto!
Sou realmente crédula. Levo fé em tudo até que me seja provado o contrário, esse é meu limite para não parecer mais tola que o normal. Nessa história estão os oráculos, coisas que sempre me fascinaram. Admito ainda fazer uso de alguns e até manipular um, ou melhor, servir de meio para manifestação. Assim é bem mais poético.
O fato é que hoje, depois de almoçar um punhadinho de alimentos sem gordura, me pus a observar a estante de livros esotéricos e eis que uma lombada grossa com cores fortes (entre o amarelo e o marrom) me despertou atenção. Dizia: “Oráculo” em letras desenhadas.
Abri o livro achando que se tratava de um grande manual sobre todos os oráculos, mas, na verdade, o livro já era o próprio. Prometia respostas para todas as questões que dependessem de um mero “sim” ou “não”.
Óbvio que não resisti e deslizei meu polegar direito pela lateral do livro fechado com minha questão em mente. Abri uma página lá pelo meio da imensa publicação.
Quase que o deixei cair no chão o tal oráculo quando li a mensagem: “Se hoje é sexta-feira, o médium diz que sim.”
Sou realmente crédula. Levo fé em tudo até que me seja provado o contrário, esse é meu limite para não parecer mais tola que o normal. Nessa história estão os oráculos, coisas que sempre me fascinaram. Admito ainda fazer uso de alguns e até manipular um, ou melhor, servir de meio para manifestação. Assim é bem mais poético.
O fato é que hoje, depois de almoçar um punhadinho de alimentos sem gordura, me pus a observar a estante de livros esotéricos e eis que uma lombada grossa com cores fortes (entre o amarelo e o marrom) me despertou atenção. Dizia: “Oráculo” em letras desenhadas.
Abri o livro achando que se tratava de um grande manual sobre todos os oráculos, mas, na verdade, o livro já era o próprio. Prometia respostas para todas as questões que dependessem de um mero “sim” ou “não”.
Óbvio que não resisti e deslizei meu polegar direito pela lateral do livro fechado com minha questão em mente. Abri uma página lá pelo meio da imensa publicação.
Quase que o deixei cair no chão o tal oráculo quando li a mensagem: “Se hoje é sexta-feira, o médium diz que sim.”
domingo, setembro 19, 2004
Sobre a sedução
Aquele jeito. Parado, ombros arqueados, meio curvado para frente. Uma das mãos no bolso e ele ouvia atentamente a menina à sua frente falar. Um figurino despojado, nada de especial, mas ainda assim ele se faz notar. Quando ela corre os olhos pelo salão quase lotado é nele que pára.
De fato não é um homem bonito. Não é lá muito alto, está um pouco acima do peso, usa o corte de cabelo mais comum do mundo. Em seu rosto não existe nada de exótico ou que faça parte dos padrões vigentes de beleza. Olhos normais, nariz normal e seu sorriso é até meio torto. Seria um cara comum se não lhe despertasse tanto a atenção. Se pôs a observá-lo fixamente por alguns minutos e eis que uma ponta de desejo se apoderou de seu corpo. Ela o reconheceu, já havia tido com o tal em outras épocas, mas o desejo ainda era vivo.
Anos atrás eles dividiam o mesmo ambiente. Encontros diários e conversas informais construíram uma relação formal e amigável. Mas as palavras e pensamentos do rapaz a seduziam dia-a-dia. A cada fato novo apresentado, a cada debate proposto, a cada divagação, mesmo que por pura diversão, ele se fazia mais encantador. Ao final de poucos dias de convivência já eram dele seus desejos mais lascivos. Tanto e de tal forma que nem mesmo os anos afastados, assim como as mudanças físicas inerentes a passagem dos tais, a fizeram esquecer.
Se aproximou e comprovou sua suspeita. Era mesmo ele. Como poderia errar? E ao final da primeira frase do rapaz já estavam lá outra vez todos os pensamentos impuros que costumava ter quando ele se aproximava. Estava mesmo seduzida e não por um corpo, mas por uma mente. Uma sedução imune ao tempo.
De fato não é um homem bonito. Não é lá muito alto, está um pouco acima do peso, usa o corte de cabelo mais comum do mundo. Em seu rosto não existe nada de exótico ou que faça parte dos padrões vigentes de beleza. Olhos normais, nariz normal e seu sorriso é até meio torto. Seria um cara comum se não lhe despertasse tanto a atenção. Se pôs a observá-lo fixamente por alguns minutos e eis que uma ponta de desejo se apoderou de seu corpo. Ela o reconheceu, já havia tido com o tal em outras épocas, mas o desejo ainda era vivo.
Anos atrás eles dividiam o mesmo ambiente. Encontros diários e conversas informais construíram uma relação formal e amigável. Mas as palavras e pensamentos do rapaz a seduziam dia-a-dia. A cada fato novo apresentado, a cada debate proposto, a cada divagação, mesmo que por pura diversão, ele se fazia mais encantador. Ao final de poucos dias de convivência já eram dele seus desejos mais lascivos. Tanto e de tal forma que nem mesmo os anos afastados, assim como as mudanças físicas inerentes a passagem dos tais, a fizeram esquecer.
Se aproximou e comprovou sua suspeita. Era mesmo ele. Como poderia errar? E ao final da primeira frase do rapaz já estavam lá outra vez todos os pensamentos impuros que costumava ter quando ele se aproximava. Estava mesmo seduzida e não por um corpo, mas por uma mente. Uma sedução imune ao tempo.
sexta-feira, setembro 10, 2004
O imortal da Glória
Conquistou minha confiança ao longo dos anos. Um tempo em que parecia arquitetar tal golpe. Até o grande dia em que me atraiu até sua morada. Se armou de argumentos e motivos, fez as horas correrem rapidamente até o ápice da noite. Seduziu-me com histórias do nosso passado e, ajoelhado ao meu lado me dominando com o olhar, cravou seus dentes em minhas veias sugando meu sangue. O bastante para me deixar indefesa.
Fraca, mas consciente, observava seus trejeitos. Ele me sorria e acarinhava meu rosto com delicadeza. Em nada se assemelhava ao monstro que se tornara ao revelar-me seus perversos caninos. Seus indecifráveis olhos escuros que nunca me deixaram ver o que se passava em seu coração. E que coração? Jamais pude ouvi-lo ou sentir o seu bater. Todos as pistas sempre estiveram à minha frente, mas nunca suspeitei. Agora, acuada no canto do sofá, unia as peças e esperava meu fim.
Não sentia mais meu corpo, aos poucos tudo adormecia, pernas, braços. Mal consegui manter meus olhos abertos e ele continuava ali, me admirando. Parecia esperar minha morte que vinha lentamente. Cruel. Conformei-me em ter aquilo como última visão: um homem lindo a quem eu sonhava um dia pertencer.
Era isso que tinha em mente quando ele levantou-se bruscamente e, num rompante, cortou seu pulso. O sangue escorria por sua mão. Cerrei meus olhos e senti um liquido quente entre meus lábios. Escorria garganta abaixo resfriando meu corpo já inerte. Meu coração parou, o ar não entrava mais em meus pulmões. Sentia cada artéria de meu corpo congelar. Uma dor impensável.
Senti frio. Abri meus olhos e ainda estava lá, no mesmo sofá. A sala vazia, nenhum vestígio de sangue nem de ninguém. Ele não estava mais ali. Levantei devagar e, atordoada, corri até o espelho mais próximo. Examinei meu pescoço, nenhum sinal. O apartamento vazio me deu a certeza de que tudo foi um sonho ruim. Sai pela porta sem olhar para trás.
Mais de um ano e eu não esqueço essa noite. Minhas mãos frias e minha fome insaciável me fazem crer que não foi um sonho. Ele me tirou a vida e me deu outra. Sou parte dele agora. Por toda eternidade.
Fraca, mas consciente, observava seus trejeitos. Ele me sorria e acarinhava meu rosto com delicadeza. Em nada se assemelhava ao monstro que se tornara ao revelar-me seus perversos caninos. Seus indecifráveis olhos escuros que nunca me deixaram ver o que se passava em seu coração. E que coração? Jamais pude ouvi-lo ou sentir o seu bater. Todos as pistas sempre estiveram à minha frente, mas nunca suspeitei. Agora, acuada no canto do sofá, unia as peças e esperava meu fim.
Não sentia mais meu corpo, aos poucos tudo adormecia, pernas, braços. Mal consegui manter meus olhos abertos e ele continuava ali, me admirando. Parecia esperar minha morte que vinha lentamente. Cruel. Conformei-me em ter aquilo como última visão: um homem lindo a quem eu sonhava um dia pertencer.
Era isso que tinha em mente quando ele levantou-se bruscamente e, num rompante, cortou seu pulso. O sangue escorria por sua mão. Cerrei meus olhos e senti um liquido quente entre meus lábios. Escorria garganta abaixo resfriando meu corpo já inerte. Meu coração parou, o ar não entrava mais em meus pulmões. Sentia cada artéria de meu corpo congelar. Uma dor impensável.
Senti frio. Abri meus olhos e ainda estava lá, no mesmo sofá. A sala vazia, nenhum vestígio de sangue nem de ninguém. Ele não estava mais ali. Levantei devagar e, atordoada, corri até o espelho mais próximo. Examinei meu pescoço, nenhum sinal. O apartamento vazio me deu a certeza de que tudo foi um sonho ruim. Sai pela porta sem olhar para trás.
Mais de um ano e eu não esqueço essa noite. Minhas mãos frias e minha fome insaciável me fazem crer que não foi um sonho. Ele me tirou a vida e me deu outra. Sou parte dele agora. Por toda eternidade.
terça-feira, setembro 07, 2004
"The Origin Of Love"
Gosto tanto de olhar para ele. Isso me dá a certeza de que temos metades nossas vagando por ai.
É bom mesmo olhar para ele. A camiseta básica um número acima, a calça capri e as sandálias de couro nos pés, tão a minha cara. Os cabelos desalinhados, as mãos grandes e macias, olhos pequenos, boca carnuda, tão dos meus desejos. A gargalhada gostosa, o abraço aconchegante, o olhar doce, tão das minhas vontades. Os projetos, os sons, os filmes, os sonhos, tão dos meus gostos.
O vazio que deixa quando está longe, a saudade que provoca, a falta que faz.... Me sinto tão parte dele, acho ele tão meu que nem sei.
É bom mesmo olhar para ele. A camiseta básica um número acima, a calça capri e as sandálias de couro nos pés, tão a minha cara. Os cabelos desalinhados, as mãos grandes e macias, olhos pequenos, boca carnuda, tão dos meus desejos. A gargalhada gostosa, o abraço aconchegante, o olhar doce, tão das minhas vontades. Os projetos, os sons, os filmes, os sonhos, tão dos meus gostos.
O vazio que deixa quando está longe, a saudade que provoca, a falta que faz.... Me sinto tão parte dele, acho ele tão meu que nem sei.
domingo, setembro 05, 2004
Sobre a dormência
Deixou para trás uma semana ansiosa. Dias planejando situações, ponderando motivos e estudando possibilidades. O querer/não querer presente 24h por dia. Um trabalhão. Abafar culpas, exaltar bons momentos, relembrar as coisas ruins, desencavar porquês... Aquilo seria de fato um reencontro.
Por todo o caminho o coração acelerado. Quanto mais se aproximava aumentava a vontade de desistir e voltar. Caminhando a passos pequenos, desses que nunca querem chegar. O medo ao reconhecer o portão. Calafrios ao olhar através das grades.
As horas se arrastam, os assuntos se sucedem até ele finalmente surgir e, lentamente, cruzar a porta. Expressão de absoluta surpresa quebrada pela profunda frieza do "oi". No lugar de todas as emoções que transbordaram por todo o dia só restou o torpor. Uma dormência que impediu terminantemente que seu olhar com o dele cruzasse, que suas palavras a ele se dirigissem, que seu corpo o dele tocasse.
Por todo o caminho o coração acelerado. Quanto mais se aproximava aumentava a vontade de desistir e voltar. Caminhando a passos pequenos, desses que nunca querem chegar. O medo ao reconhecer o portão. Calafrios ao olhar através das grades.
As horas se arrastam, os assuntos se sucedem até ele finalmente surgir e, lentamente, cruzar a porta. Expressão de absoluta surpresa quebrada pela profunda frieza do "oi". No lugar de todas as emoções que transbordaram por todo o dia só restou o torpor. Uma dormência que impediu terminantemente que seu olhar com o dele cruzasse, que suas palavras a ele se dirigissem, que seu corpo o dele tocasse.
Assinar:
Postagens (Atom)