Então foi assim, julguei uma pessoa. Odeio quando faço isso, mas eu sempre faço. A conseqüência é imediata: percebo o erro e logo me condeno. Nem me dou ao trabalho de justificar, assumo e fico lá...remoendo aquilo por horas, dias até. “Sua burra!”, “Como pode ser tão estúpida e cruel?”, “Você é mesmo péssima”, diz, na versão publicável, minha consciência para mim. Acredite, ao vivo é muito pior.
Há quatro dias que isso me atormente noite e dia. Hoje então cheguei ao ápice. Vi o quanto realmente fui cruel. Entendi, finalmente, os motivos que levam tal pessoa a agir assim, ao meu ver, descomprometido demais, desleixado demais, sem uma gota de amor pelo que faz.
Passei toda a manhã preparando um esquema legal. Uma coisa bacana mesmo. Perdi horas traçando estratégias, metas... Já passava das 13h quando apresentei, orgulhosa e animada, o resultado da minha proposta. O balde de água fria não tardou. Algo em torno de dez parcos minutos e tudo estava destruído. Pior do que ter seu projeto recusado e vê-lo reduzido a pó.
Voltei para minha mesa totalmente descomprometida, desleixada e sem uma gota de amor pelo que fiz. Ah, sim, claro, mais arrasada ainda do que o meu réu de quatro dias atrás. Afinal, ele foi absolvido e eu? Ah, eu ainda vou me condenar pelos meus erros por mais uma pá de tempo.